Casas da vila e Estação
sábado, 1 de agosto de 2015
Estação de Campo Maior e as casas da vila
Um bairro que nos faz lembrar de épocas passadas, nos faz sonhar com o trem passando, tocando o seu apito, escutado até pelas casas mais distantes, guarda ainda resquícios de então, como as casas da vila, o velho prédio da Estação e o que restou dos trilhos, por onde passaram muitos sonhadores.
A estação de Campo Maior foi inaugurada em 1952, mas os trens de passageiros somente passara a fazer o trecho até Piripiri em 1966. A estação foi ponta de linha por algum tempo, inclusive, a sede do 4º Batalhão de Ferroviário nos anos 1950.
As casas da Vila da Estação foram construídas na década de 50.Algumas conservam a arquitetura da época, outras foram reformadas.A praça, uma das mais bonitas da cidade, pelo acervo de árvores antigas, com copas grandes, que ensombreiam quase toda a praça, dando beleza ao lugar e proporcionando bem estar para os moradores ao redor.
Em 1916 foi iniciada a construção da ferrovia entre o porto de Amarração, atual Luis
Correa, e Campo Maior, no Piauí, sendo então vinculada à Rede de Viação Cearense. A linha
foi desmembrada da administração da RVC em 1920 e passou a denominar-se Estrada de
Ferro Central do Piauí, com as obras prosseguindo lentamente. Periperi, no km 191, somente
foi alcançada em 11 de fevereiro de 1937, e Campo Maior em final de 1962, e anos depois
Teresina.
No período de 15 de abril de 1942 a 6 de setembro de 1946 a Estrada de Ferro Central
do Piauí esteve vinculada administrativamente à EFSLT, voltando a ficar independente até 30
de setembro de 1957, quando ambas foram reunidas na criação da RFFSA.http://www.antf.org.br/index.php/associadas/transnordestina/historico
Chegada dos trilhos a Campo Maior -Piauí - 1960
Partindo de Piripiri os trilhos chegaram a Campo Maior em 1960, onde os jornalistas da Capital foram convidados para prestigiar a chegada do “comboio 57 DE AMARRAÇÃO a Piracuruca. O Piauhy. Teresina, ano 34, n. 708, p.01, 22 de nov. de 1923. 58 PORTELLI, Alessandro. O momento da minha vida: funções do tempo na história oral. In: KHOURY, Yara et al (Orgs.). Muitas memórias, outras histórias. São Paulo: Olho d’água, 2004, p.307. 59 FERREIRA, José de Arimatéia Isaias. Trilhando Novos Caminhos: A cidade de Piripiri e as mudanças proporcionadas pela chegada da Ferrovia 1930-1950. 2010. 146 f. Dissertação (Mestrado em História do Brasil) - Universidade Federal do Piauí, Teresina, 2010, p.112. 34 ferroviário”. O cronista do jornal Estado do Piauí mencionou o convite no seu editorial de 29 de dezembro de 1960 com o título “Trem de Ferro em Campo Maior”. A cidade das campinas e dos carnaubais, nos seus 350 anos de existência, vae receber a trinta do findante, o primeiro comboio ferroviário, com o prolongamento, até ali, da Estrada de Ferro Central do Piauí, partindo da cidade litorânea piauiense de Luiz Correia. Este o magnifico anuncio que dá ao povo piauiense, o ilustre Ten – Cel. Lima Junior. Comandante do segundo BEC – responsável e pioneiro daquele notável melhoramento em terras piauienses. Agradecemos aqui o atencioso convite que S. Sia. Mandou a este vibrante jornal, para assistirmos aquela grata ocorrência60 . Nesse momento, quem estava à frente da construção ferroviária no Piauí era o o 2º Batalhão de Engenharia e Construção, que foi responsável pelo prolongamento da ferrovia de Piripiri até Teresina. A primeira viagem do trem realizada na linha Teresina-Parnaíba, foi manchete do jornal O Dia em 06 de dezembro de 1968, onde o cronista registrou da seguinte
Maquinista que inaugurou o trecho da ferrovia Piripiri a Campo Maior
Waldemar Lima, ao longo de sua trajetória ferroviária exerceu as funções de auxiliar de maquinista e depois maquinista, cujo serviço também exigia muito dele, fazendo com que seu corpo sofresse os efeitos da fumaça e o calor do vapor. Ser maquinista era uma função que tinha que ter muita responsabilidade. O tráfego não tinha hora era dia e noite, com chuva ou sem chuva, com sol ou sem sol, tinha que está lá. Quando tinha muito percurso era que a gente tinha uma folguinha pouca, mas se fosse preciso, a gente voltava a trabalhar na mesma hora. Eu trabalhava vinte e quatro horas chegando e voltando. Eu ficava aqui em Parnaíba e viajava para Luís Correia, Bom Princípio, Cocal, Deserto, Piracuruca, Piripiri. Eu fui o maquinista que inaugurou o trecho de Altos a Teresina, o trecho de Piripiri a Campo Maior, fiz tudo isso [...]. A alimentação era por conta da pessoa. Na máquina a vapor tanto fazia o foguista ou maquinista, pegava muita quentura, era muito quente. Na época eu era novinho não sentia nada, estou sentindo hoje problema nos pulmões, 131 foi muita fumaça que eu respirei e quentura, bebia água quente, eu bebia no tender, o lugar onde deposita água na locomotiva288 . É com orgulho que o ferroviário se recorda dos trechos ferroviários que inaugurou. ENTRE TRILHOS E DORMENTES: a Estrada de Ferro Central do Piauí na história e na memória dos parnaibanos (1960-1980)
Comentários
Postar um comentário